sábado, 26 de março de 2011

Resident Evil completa 15 anos... e o que se perdeu?






Foi em 1996 onde tudo se iniciou.
E agora passaram-se 15 anos. Como o tempo passa rápido.
Nascia Resident Evil, com uma proposta de jogo baseada em clássicos como Alone in the Dark, trazendo toda uma atmosfera sombria envolvendo uma grande corporação, ambientes pós apocalípticos e... Zumbis!!!
Era a fórmula de sucesso.
O game ia adquirindo mais e mais fãs a cada novo capítulo lançado.
Com seus cenários pré renderizados de alta qualidade, efeitos sonoros de arrepiar, esta franquia conquistou uma legião imensa de fãs.
Mas o que aconteceu com a série nos dias de hoje?
Decaiu.
Sim. Em nome do lucro, em busca de um publico casual e na tentativa de acertar no mesmo alvo em que tantos outros games hoje em dia tentam acertar: o mercado dos shooters. Ou melhor, o saturado mercado dos shooters.
O que era uma franquia de suspense/horror virou uma franquia de gore/ação genérica, onde você apenas encontra o mesmo que em tantos outros games do mercado, só que com qualidade pior.
E não é para menos que tantos fãs desesperados torçam o nariz para a série, coisa que o próprio criador,  o mestre Shinji Mikami, também fez.
O game que era famoso por seus puzzles, sustos e ambiente dark, se transformou em um jogo onde o protagonista 'bombado' deve passear pelo cenário linear, andando e atirando em 20, 30 zombies de uma vez, parecendo invulnerável, até alcançar a linha de chegada e ver os créditos subirem.

Mas em que ponto a série começou a decair?
Vejamos:
Resident Evil 1 Inaugurou a série. Se passava em uma mansão onde um grupo de buscas ia verificar o desaparecimento de um outro grupo e acabava se deparando com bizarros monstros, culminando com a descoberta de um laboratório onde eram realizados experimentos ilegais.

Resident Evil 2 Adicionou um ambiente mais variado e encaixou dois novos protagonistas na série: Claire e Leon. Conta a história pós Resident Evil 1, onde a infecção chega até uma cidade e mostra todo o seu poder devastador, culminando também com a descoberta de que tudo era parte dos mesmos experimentos ilegais, descobertos no Resident Evi 1 por outras pessoas.

Resident Evil 3 Inseriu uma história mais profunda e a protagonista mais popular da série: Jill Valentine. Esse se passa entre os acontecimentos de Resident Evil 2 e após o mesmo. Serviu para mostrar, além das bizarrices criadas pelos experimentos ilegais, as histórias paralelas dos grupos de extermínio (mercenários) e novas armas biológicas, enviadas ao lugar para destruir as provas que incriminariam a Umbrella do ocorrido na cidade.

Resident Evil - Code Veronica Foi o responsável por dar continuidade ao enredo geral e inovou com o mesmo estilo antigo porém apresentado com gráficos poligonais em substituição ao pré renderizado.
A protagonista Claire, do RE2, vai até a sede da Umbrella em busca de provas, como parte de um plano montado pelos sobreviventes dos games anteriores. É capturada e jogada em uma prisão-laboratório onde encontra mais bizarrices, puzzles e conhece um membro da família encarregado da manutenção do complexo, bem como um pouco da história da Umbrella.

Resident Evil Remake  Foi refeito do zero o Resident Evil original, adicionando melhores diálogos, gráficos, e novas áreas. Um belo remake.

Resident Evil 0  Foi responsável por contar o que se passou antes do jogo original, utilizando gráficos e efeitos parecidos com os vistos no Resident Evil Remake.

Resident Evil 4 Inovou o mundo dos games com uma câmera sobre o ombro do protagonista. Substituiu os zumbis, puzzles, sonoplastia e ambientes dark por hispânicos de boca suja, com vermes dentro dos corpos, que viviam numa aldeia imunda em uma ilha no meio do oceano e eram controlados por um lorde. O protagonista Leon (que nada se parece com o Leon original) deve ir até esta ilha salvar a filha do Presidente que foi raptada (???).

Resident Evil 5 Dessa vez, Chris foi quem tomou anabolizantes e partiu para o pugilismo na Africa ao lado de sua parceira Sheva. Neste jogo eles enfrentam basicamente a mesma coisa do 4: pessoas com um parasita dentro e que são controladas por um louco. O jogo consiste em andar por cenários com caminhos pré determinados pelo game e atirar nas multidões de inimigos num estilo que é  a mistura de Left 4 Dead + House of the Dead.

Pera lá!
Filha do presidente? Mata-mata insensato na Africa?
Que coisas mais cliché!

E por que fazer isso quando, caso tivessem a vontade de criar um Third Person Shooter, poderiam apenas criar uma nova série ou um Spin Off de Resident Evil, como eram os Dead Aim/Gun Survivor?
Por que raios houve necessidade de matar um estilo do jogo apenas para adotar o nome em um jogo diferente?

A resposta é simples, meus caros: dinheiro.
Sim, Resident Evil era um nome de peso.
A forma mais barata de se obter sucesso comercial foi utilizar-se do nome de peso para promover uma nova série de jogos.
O mesmo se dá com os filmes "baseados" na série. Não passam de produções B que sequer seguem um roteiro parecido com o dos games. Porém, com o nome Resident Evil o lucro vem fácil.
Aliás, falando-se em adaptação para filmes, Silent Hill é um bom exemplo de que a adaptação de games para o cinema é possível. Falta competência para os produtores de Matrix Clone Resident Evil fazerem algo similar no cinema.

Há uma divergência entre os gamers quanto a estes fatos.
Os mais antigos e devotos, repudiam firmemente os atuais jogos da série, bem como os filmes ignorando qualquer coisa boa que possa haver nos games novos (se é que há algo assim).
Já os fãs mais novos, conseguem abraçar tanto os novos quanto os velhos, isso quando jogam os velhos, mas sem fazer qualquer analise mais profunda.

Analisando os atuais jogos apenas como jogos de tiro, sem considerar franquia a qual estão erroneamente atreladas, não vê-se nada que os dê tanto mérito como outros games do mesmo estilo e muito melhores como Gears of War 1 e 2, Just Cause 2 e Dead Space 1 e 2 (estes dois últimos verdadeiros títulos de terror da atual geração).
Oras, falar que é bom apenas por receber o nome Resident Evil?
Analisemos e comparemos com outros grandes games de tiro como os acima citados.
Veremos que, no final das contas, Resident Evil 4 e 5 não possuem metade das qualidades destes e que não há motivos para o hype gerado.
São games divertidos para se passar o tempo, jogando em uma sala de estar e bebendo com os amigos.
Mas para por aí.

Me pergunto até quando os gamers vão aturar qualidades baixas, aliadas a grandes hypes.
A qualidade dos games caiu. Mas caiu porque as novas gerações de "gamers" também cairam de qualidade e tendem a ter poucas exigências quanto a qualidade, aceitando qualquer coisa que lhes é empurrada quando associada à um enorme marketing.
E aí já nem estamos falando apenas de Resident Evil, mas também de séries como Call of Duty, Medal of Honor, Gran Turismo...

E pelos 15 anos, parabéns Resident Evil.
Porém, é uma pena que a série tenha morrido quando tinha um tão futuro promissor.

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